A Páscoa do Francisco






12 abril de 20 – A Páscoa do Francisco  

Quisemos viver esta Páscoa como se o vírus não existisse.

Quisemos ignorar que estávamos confinadas, que, já tinham falecido mais de 112 mil pessoas.



Quisemos ignorar que à nossa volta o mundo se debate, resiste e que os profissionais de saúde dos diferentes continentes, medem forças com um inimigo invisível, poderosos, soberano, impiedoso.
Confinadas com uma criança de oito anos, quisemos viver a Páscoa como sempre se viveu em família, para podermos ouvir no decurso do dia: “esta é a melhor Páscoa de sempre”, como diz o Francisco quando algo lhe agrada muito.
De véspera preparámos o que seria, para uma criança de 8 anos, a parte importante da Páscoa: a caça aos ovos, a caça ao tesouro.
Com a ajuda do Francisco, fizemos um bolo e um folar.



Durante 3 dias fiz várias “excursões” aos supermercados à nossa volta, para tentar adquirir fermento de padeiro, sem sucesso. Segundo me informavam as pessoas compravam aos quilos e todos os dias esgotava cedo, até que de véspera se esgotou definitivamente.
Com outro fermento, arriscámos fazer um folar transmontano, que apesar de não ter levedado, ficou saboroso, dizem...

Começámos o dia, querendo que a criança de 8 anos, vivesse esta Páscoa, sem sentir a ausência das outras crianças e sem sentir o isolamento. Francisco desde manhã cedo que ansiava pelas corridas com os ovos numa colher, que sonhava com a caça ao tesouro.
Para aumentar a imaginação e a sua criatividade e ainda mais para o estimular, incentivamo-lo a criar pistas que nos levassem ao pote de ouro, neste caso, mais concretamente ao pote de ovos de chocolate.
Admiramo-nos com a sua perspicácia e divertidas, seguimos as diferentes pistas, que ele criou para os adultos:     




Depois, foi a dança com os ovos na cabeça, ao som da música ”Despacito”, foi a corrida com os ovos na ponta da colher  e o Francisco a dizer “esta afinal é a melhor Páscoa de sempre”.
Francisco, aguardara com ansiedade, o domingo de Pascoa e ao que ele está associado, mas ainda assim receoso que as suas expectativas fossem goradas pela existência, do tal vírus que ele não sabe “o que tem para ser tão maléfico e estar a destruir o mundo”. 
Titi, diz-me ele, eu já há algum tempo que eu me pergunto, o que é que este vírus tem dentro dele, para infectar as pessoas e matar os idosos?
Difícil a resposta. Mas ainda assim tentei explicar-lhe mostrando uma imagem do vírus e como ele funciona.
Mas, neste domingo de Páscoa, os seus olhos verdes? cinzentos? expressivos, brilham ansiosos pela caça ao tesouro organizada pelos adultos.




E de pista em pista e de peripécia em peripécia, o Francisco excitado e alegre, lá descobriu o seu pote de ouro, cheio de ovos e de moedas de chocolate. E durante esse período esqueceu-se que tinha sido uma Páscoa solitária, sem as brincadeiras com os primos, mas ainda assim: “afinal, sempre é a melhor Páscoa de sempre”!  
Ao final da tarde, na reunião via zoom, divertiu-se com os primos trocando as experiências da sua “melhor Páscoa de sempre”





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