Começar o dia - 24 março de 20
Começamos sempre o dia com o exercício físico. Com o Francisco, rivalizamos nas vezes que saltamos à corda sem perder e todos os dias tentámos superar e ultrapassarmo-nos um ao outro: o meu máximo 65 o dele 110. Está a fazer progressos. Nem sempre é fácil tirá-lo de frente da televisão e da consola, quando não tem que fazer os trabalhos enviados por e-mail.
Hoje, virados para a bela paisagem que nos oferece o jardim, ele quis fazer de professor de ginástica



 Com as pantufas a fazerem de peso e exercicios em posições de tartaruga, treinámos o corpo para mais um dia em casa.





Decorreram pouco mais de 7 dias e espero que todos se estejam a adaptar a este modo de estar e que aproveitem estes dias para vivê-los de modo diferente. 


Diferentedo que normalmente fazemos em casa. Que não estejamos
contrariados,evitemos estar deprimidos e de mau humor, que tiremos partido dofacto de podermos trabalhar e simultaneamente podermos desfrutar do nosso tempo e da nossa casa como eventualmente não o fazíamos antes.

Talvez tudo isto nos faça olhar para a família que está confinada connosco, de modo diferente e tenhamos mais tempo para ouvir os nossos filhos/familiares e amigos e aproveitar para conhecermos um pouco mais das suas angústias, os seus desejos, os seus pensamentos. E também para ouvir-nos a nós próprios. 
E o importante é depois mudarmos os nossos comportamentos.
Mudar os nossos comportamentos, penso.

Todos nós nos interrogamos sobre o que se passa. Sobre como foi possível esta situação? 
De que modo cada um contribuiu para esta pandemia? 
É importante travá-la, mas acima de tudo é importante perceber o porquê e como evitar comportamentos futuros que nos possam trazer mais pandemias.
Como é possível que estejamos todos reféns de um vírus, coroado como rei, que domina e controla o mundo, ameaçando toda a humanidade? 

Os números mais que preocupantes, são assustadores. 
E de minuto a minuto, entram-nos pelos olhos imagens do que se passa e de como em todo o mundo, as pessoas vão morrendo, as cidades ficam desertas, as lojas fecham, os empresários desesperam com os dias negros dos negócios, com o colapso dos seus investimentos. 

Os trabalhadores, agora teletrabalhadores, nervosos, inseguros, interrogam-se até quando a empresa e os patrões conseguem sustentar esta situação e até quando continuarão a ser remunerados, ou quando serão dispensados por eliminação do posto de trabalho ou não renovação do seu contrato de trabalho.

Muitos apoios e promessas pelo Estado, muitas dúvidas e interrogações pelos empresários e muitas mais pelos trabalhadores.

Tudo parou, o tema único de manhã, à tarde e à noite, é o mesmo: coronavírus, o número de mortes, a falta de equipamento, o pessoal de saúde infetado, desgastado, desesperado, a falta de camas, a necessidade de ter de escolher qual dos infectados salvar. 

Não há palavras que possam traduzir o desespero dos profissionais de saúde e de toda a humanidade.
Hoje, em Itália 57000 infetados.  
3400 pessoas mortas em Espanha, 21600 mo mundo.

China, o país que foi o centro da pandemia, começa a ganhar milhões com o negócio de sobrevivência dos outros países: venda de máscaras, venda de ventiladores, venda de equipamento. 

É revoltante este cenário. É revoltante este revés da medalha.
Como é possível um vírus controlar o mundo deste modo?

Forçados a ficar em casa, fechados em casa, vamos aprendendo a viver num espaço que antes nos parecia enorme, mas que se torna limitado para uma permanência de 24h. 

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